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betonilha afagada tradicional // cimento afagado à costa da colher

extras - 2 Comments » - Posted on March, 11 at 11:08 pm

receita “betonilha afagada tradicional // cimento afagado à costa da colher”

uma vez que parece que este é um tema que interessa a muitos, fica aqui um registo detalhado e comentado.

agradecem-se comentários e descrições de ensaios de cada qual, os bons e os maus exemplos.

obviamente esta não é a única maneira de fazer este trabalho, já fizemos diversas experiências. cada pedreiro tem a sua técnica e manha – e a isso se chama a arte! ….normalmente, e fará um grande fincapé, preferirá a sua arte a qualquer outra que queiramos impingir. cada pedreiro, cada resultado!

espero que o relato possa ser útil.

condições base desta experiência:

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a base era um enchimento de betão leve – betonilha com argila expandida. a base estava bem seca.

(não é aconselhável a execução directa sobre bases pouco rígidas (tabuados, etc.), demasiado porosas (madeiras), ou demasiado absorventes (argamassas pobres ou de cal, terreno natural, etc.). as superfícies flexíveis provocarão fendilhação mais profunda e naturalmente indesejada, ao longo do tempo a argamassa continuará a fendilhar sobre a vibração do pavimento e terá tendência a descolar . as superfícies absorventes, que “puxam demasiado depressa”, provocarão fendilhação superficial (menor escala) por cura demasiado rápida e consecutiva retracção. Um boa solução é isolar a betonilha da base introduzindo um filme de polietileno (plástico). Antigamente separavam-se estas massas das lajes de estrutura (criando um “menisco”) com jornais e com as sacas de cimentos.

betonilhas esquartejadas – juntas de dilatação/ riscos de colher

em grandes superfícies é inevitável introduzir juntas, caso contrário há que saber viver com a fissuração, ou mesmo o descolamento da camada da aguada. A junta é normalmente uma rectícula de riscos introduzidos com a ponta da colher.

normalmente, em interiores e em pequenos espaços, introduzimos, na vertical (ao cutelo) e na ligação da massa com a parede um filme de espuma de polietileno (tipo soalho flutuante). no final da cura aparam-se as pontas. este filme dará aproximadamente 3-5mm a cada lado da massa para expansão e retracção.

neste caso existe um pré-impermeabilização do chão e das paredes até à 15cm de altura (cota do limpo do pavimento) com uma tela asfáltica soldada. Esta tela substitui a espuma de polietileno.

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em seguida, é deitada a betonilha. é uma argamassa de areia de rio e cimento, muito seca, praticamente sem água. se por acaso for colocada demasiado húmida é necessário aguardar a sua secagem.

neste caso, o chão tem uma pendente de 1cm. existe portanto uma rampa de 4 a 5 cm, no sentido do duche, que é necessário encher. os níveis foram previamente preparados com duas réguas que tamponam as extremidades do espaço.

estas betonilhas não devem ser executadas com menos de 3cm pois fendilham e partem facilmente.

para já é só enchido aproximadamente 2-3cm.

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de seguida é colocada uma rede de capoeira, daí que só tenham sido enchidos 2 a 3cm. Esta rede unifica e dispersa os esforços internos na argamassa evitando fendilhação e quebra. funciona com uma armadura de laje a pequena escala.

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pode-se agora espalhar a restante argamassa de enchimento sobre a rede. a malha tem de ficar bem embebida na argamassa. pontas de fora darão pontos de ferrugem visíveis e picos nos pés!

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utilizando as réguas que tamponam as massas como mestras, com uma régua de madeira apoiada entre as duas, são criadas duas mestras de massa paralelas às paredes.

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usando as mestras laterais de massa e um régua de madeira é nivelado o interior da argamassa.

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uma vez nivelada, a argamassa é regularizada à talocha.

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as depressões são enchidas com argamassa que é afagada à talocha novamente.

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e a massa depois de afagada à talocha (tipo roscone). a massa deve ir sendo feita à medida do que se consegue trabalhar, mediante o acesso do braço e a superfície possível de executar.

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de seguida, à mão é deitado o cimento em pó, directamente a partir do saco, sobre a argamassa.

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observando se a própria argamassa (se estiver húmida) puxa o pó, salpicar com uma brocha.

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com as costas da colher, em movimentos semi-circulares, vai-se afagando a pasta superfícial. neste caso o pó foi demasiado humedecido e teve de se esperar a secagem.

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esta pasta – aguada – apesar de demasiado liquida será o acabamento final e ficará completamente unida à argamassa da base.

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a massa, foi já toda preparada, o pedreiro, no centro (zona que acabará no final), fará todo o redor. o procedimento é repetido, desta vez, sem humedecer demasiado. 1ºo pó.

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2º humedecer com o auxilio da brocha. 3º afagar com as costas da colher.

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e o procedimento, a partir do espalhar do pó-de-cimento, é repetido até obter um bom acabamento, evitando os vincos da colher. (que são inevitáveis e muito característicos).

a aguada enquanto muito molhada fará bolhas de ar (que puderão ser quebradas e reafagadas, como se de papel autocolante se tratasse), enquanto muito seca começará a vir arrancada, colada à colher.

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a repetição é necessária até à homogeneidade da textura e da secagem aparente da camada superficial.

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…mais uma camada geral…

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o resultado.

ficará agora a secar, transpirando durante uns dias. se a humidade do ar estiver baixa será conveniente fazer uma cura controlada, regando periodicamente. ao final de umas horas está pronto a ser pisado. não convem ser sujo uma vez que nesta fase é muito poroso e absorve todas as sujidades não sendo possível a sua limpeza.

a secagem demora semanas. quanto mais demorada melhor o resultado. (menor fendilhação)

o acabamento da superfície será com um primário impermeabilizante para pedra e betão seguido de cera acrílica.